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Resultados Nacionais
Resultados Nacionais Agregados de 2010
1. Introdução
De seguida são apresentados os principais indicadores referentes aos agregados estatísticos nacionais de 2010, obtidos a partir das respostas de 37.292 colaboradores de organizações aderentes a este projecto.
Além de se reportar a evolução daqueles que são os três principais índices do modelo ONRH (Satisfação, Lealdade e Envolvimento), dá-se conta dos resultados registados nas restantes dimensões, e do impacto que estas têm naqueles. De facto, o modelo conceptual desenvolvido pelo ONRH permite explicar a Satisfação, a Lealdade e o Envolvimento dos colaboradores através da análise da relação causal entre um conjunto de nove dimensões antecedentes e tais índices, o que constitui um avanço significativo relativamente aos estudos descritivos convencionais de avaliação da satisfação dos colaboradores, dado que permite apontar prioridades de melhoria e consequentes ganhos esperados ao nível dos índices de interesse.
É ainda efectuada uma destrinça dos resultados de acordo com a natureza das organizações (pública ou privada) e a área de actividade (sector farmacêutico, indústria, serviços e distribuição). Por fim, apresenta-se a análise efectuada à evolução dos índices em entidades que foram monitorizadas mais do que uma vez.
2. Metodologia e Taxa de Adesão
Os indicadores deste estudo resultam da aplicação de um questionário padrão base, constituído por 52 questões, posteriormente agrupadas em 12 dimensões, em diversas organizações portuguesas públicas e privadas. Os resultados obtidos englobam um universo de 26 organizações e de 37.292 respondentes.
A recolha de dados nas organizações aderentes é, em geral, feita por recenseamento e a taxa de resposta é, em média, igual a 73,4%. Na tabela 1 apresentam-se os valores para a taxa de adesão.
Tabela 1. Taxas de adesão dos colaboradores.
Das organizações incluídas nos agregados de 2010 verifica-se, atentando na figura 1, que 57,7% são de natureza privada e 42,3% pertencem ao sector público. Especificando a análise por sector de actividade, constata-se que 61,5% das organizações operam no domínio da prestação de serviços, 15,4% consagram a sua actuação a actividades de distribuição, 11,5% são organizações industriais, e 11,5% são organizações ligadas ao sector farmacêutico.
No que concerne às respostas obtidas, 53,2% provêm de colaboradores de organizações públicas e 46,8% de colaboradores de organizações privadas. Ao nível sectorial, a maioria das respostas é proveniente do sector dos serviços (59,8%), seguindo-se a distribuição (30,2%), a indústria (8,6%), e por fim o sector farmacêutico, com 1,5% das respostas.
Figura 1. Caracterização das entidades e dos respondentes por sector a que pertencem.
3. Resultados Globais
Atente-se agora nos principais indicadores agregados de 2010. Analisando o ranking dos índices por dimensão, apresentado na figura 2, importa referir que o valor dos índices médios de oito das doze dimensões de análise se situa na chamada zona neutral de satisfação (entre 40 e 60 pontos percentuais), sendo que seis destas dimensões obtêm resultados acima dos 50 pontos e apenas duas, a Mudança e Inovação (49,6) e o Reconhecimento e Recompensa (45,5), se situam abaixo dos 50 pontos. As dimensões Envolvimento, Lealdade, Política e Estratégia e Qualidade, todas com pontuações compreendidas entre os 60 e os 80 pontos, situam-se na zona de satisfação positiva (acima de 80 considera-se um colaborador muito satisfeito).
Figura 2. Índices Nacionais de 2010, por dimensão
Entre 2009 e 2010, todas as dimensões estudadas registaram um decréscimo comparativamente a 2009, sendo essa diminuição mais acentuada na dimensão Qualidade (-1,8 pontos).
No que respeita à dispersão de resultados associada a cada dimensão (figura 3) constata-se que a dimensão Envolvimento é aquela que apresenta uma menor distância entre o mínimo e o máximo (24,8 pontos). Por outro lado, a dimensão Lealdade é aquela que regista a maior diferença entre o máximo e o mínimo (41,0 pontos).
Figura 3. Valores médios, máximos e mínimos, por dimensão, dos índices nacionais de 2010.
Centrando a análise nas questões contidas no inquérito padrão, verifica-se que a questão “dedicação e empenho pela empresa”, com uma pontuação de 8,2 (numa escala de 1 a 10), é a que regista o valor médio mais elevado, enquanto que a questão relativa à satisfação com “actividades desportivas, culturais e de convívio”, com uma pontuação de 4,2, é a que regista o valor médio mais baixo, seguindo-se “o sentimento que estou bem pago”, com 4,6 (figura 4).
Figura 4. Questões com valores médios mais elevados e valores médios mais baixos.
4. Satisfação
Focando agora uma das dimensões centrais do modelo ONRH, a dimensão Satisfação, verifica-se que o índice registou um decréscimo de 1,2 pontos percentuais relativamente a 2009, invertendo assim a tendência de subida verificada naquele ano (figura 5).
Figura 5. Evolução da dimensão Satisfação (2002-2010).
Figura 6. Estratificação da Satisfação.
A análise estratificada da Satisfação (figura 6) permite concluir que os colaboradores mais jovens (18 a 25 anos) são aqueles que apresentam um valor médio de satisfação mais elevado.
Na comparação por género verifica-se a inexistência de diferenças significativas (0,5%) entre o sexo masculino e feminino.
Centrando a análise ao nível das habilitações literárias, constata-se que os colaboradores com níveis de escolarização até ao 1º e 2º ciclo do ensino básico registam o valor médio de satisfação mais elevado, por oposição aos colaboradores com qualificação superior, que registam o valor médio mais baixo.
Relativamente à antiguidade na empresa, os colaboradores com “menos tempo de casa” são os mais satisfeitos, enquanto os colaboradores que trabalham entre 6 a 10 anos e há mais de 20 anos na organização apresentam os mais baixos níveis médios de satisfação.
Finalmente, no que respeita à posição hierárquica, os colaboradores que ocupam cargos de chefia apresentam valores médios mais elevados do que aqueles que não desempenham qualquer função de chefia, sendo a diferença de 10,5 pontos percentuais.
Refira-se que esta análise foi realizada com base apenas nas organizações que apresentam classes comparáveis.
Analisando estes dados em termos de perfis (figura 7), podemos definir o colaborador muito satisfeito como pertencendo ao género masculino, possuindo um nível de escolarização que ascende até ao 2ª ciclo do ensino básico, com uma antiguidade na organização inferior a 1 ano e ocupando um cargo de chefia. Por outro lado, o colaborador muito insatisfeito pode ser definido como pertencendo ao género feminino, tendo frequentado o ensino superior, trabalhando na mesma organização há mais de 20 anos e não ocupando qualquer cargo de chefia. Note-se que estas categorias são independentes e não se referem ao perfil cumulativo do colaborador, devendo a comparação ser feita estrato a estrato (ex: género masculino vs feminino; menor antiguidade na organização vs maior antiguidade, etc.)
Figura 7. Perfil do colaborador muito satisfeito e muito insatisfeito. Nota: as categorias são independentes e não se referem ao perfil cumulativo do colaborador.
O Modelo Estrutural estimado para a Satisfação do Colaborador é apresentado na figura 8 e a partir dele se conclui que as dimensões com maior impacto na Satisfação são as Expectativas (com um impacto relativo de 35%) e o Contexto Organizacional (com um impacto relativo de 30%). Num segundo nível surgem as dimensões Reconhecimento e Recompensa (14%) e Mudança e Inovação (8%).
Figura 8. Modelo Estrutural: impactos dos antecedentes na Satisfação.
Como exemplo de interpretação da figura pode referir-se que, em termos de modelo, um aumento de 1 ponto na dimensão Contexto Organizacional conduzirá a um aumento de 0,44 pontos na Satisfação.
5. Lealdade
No que respeita ao índice de Lealdade verifica-se uma evolução semelhante à da Satisfação: em 2010 o índice desce face a 2009 (1,3 pontos percentuais) e interrompe a tendência crescente verificada nesse ano (figura 9).
Figura 9. Evolução da dimensão Lealdade (2002-2010).
Da análise do Modelo Estrutural (figura 10) verifica-se que, como esperado, a Satisfação é a dimensão com maior impacto na Lealdade, podendo concluir-se que colaboradores mais satisfeitos serão mais leais às organizações onde trabalham (um aumento de um ponto na Satisfação deverá produzir um aumento de 0,61 pontos na Lealdade). As Expectativas e o Contexto Organizacional são as outras duas dimensões com um impacto mais significativo na Lealdade.
Figura 10. Modelo Estrutural: impactos dos antecedentes na Lealdade.
6. Envolvimento
À semelhança do verificado com os índices de Satisfação e Lealdade, o índice médio de Envolvimento também desce em 2010 e contraria a tendência crescente verificada em 2009 (figura 11).
Figura 11. Evolução da dimensão Envolvimento (2002-2010).
Ao nível do Modelo Estrutural, as Expectativas, a Lealdade e a Satisfação afiguram-se como as dimensões com maior impacto no Envolvimento, podendo-se assim concluir que colaboradores com melhores expectativas em relação às suas organizações, mais satisfeitos e mais leais às mesmas, estão mais envolvidos e dedicados ao seu trabalho (figura 12).
Figura 12. Modelo Estrutural: impactos dos antecedentes no Envolvimento.
7. Análise Sectorial
Centrando agora a análise ao nível da natureza das organizações, verifica-se, atentando na figura 13, que para as entidades públicas os valores médios das dimensões decresceram face a 2009. Dimensões como Reconhecimento e Recompensa, Mudança e Inovação e Satisfação foram as que sofreram um maior decréscimo.
Figura 13. Índices para o Sector Público: Evolução 2009/2010.
Por outro lado, nas entidades privadas os valores médios dos índices também desceram na maioria das dimensões, à excepção do Reconhecimento e Recompensa e das Expectativas, conforme se constata na figura 14. A Qualidade foi a dimensão que, em termos médios, mais desceu comparativamente a 2009.
Figura 14. Índices para o Sector Privado: Evolução 2009/2010.
Comparando os valores registados nas várias dimensões entre Sector Público e Sector Privado (Figura 15) constata-se que o Sector Privado regista os valores médios mais elevados em todas as dimensões.
Figura 15. Comparação dos valores médios das dimensões entre sector público e sector privado.
Pela análise do mapa perceptual de Satisfação-Lealdade aplicado às 26 entidades estudadas e representado na figura 16 verifica-se que é privada a organização que tem os colaboradores mais satisfeitos e mais leais (parte superior direita do QI) e que é pública a entidade que apresenta os colaboradores menos satisfeitos e menos leais (conforme se verifica na parte inferior esquerda do QIII).
Figura 16 – Mapa de Satisfação-Lealdade aplicado na comparação entre as entidades do sector público e do sector privado.
Relativamente às diferenças ao nível dos indicadores (com base numa escala de 1 a 10), verifica-se que o sector privado apresenta valores mais elevados do que o sector público e que as diferenças mais significativas se situam nos indicadores (figura 17):
Satisfação com a formação recebida;
Regalias e benefícios concedidos;
Figura 17 – Diferenças mais significativas ao nível dos indicadores verificadas entre o sector público e o sector privado.
Da análise efectuada às várias dimensões por sector de actividade (figura 18) constata-se que o Sector Farmacêutico regista os valores médios mais elevados em quase todas as dimensões, à excepção da dimensão Satisfação, mantendo-se assim como o sector, desde 2009, com os valores médios mais elevados na generalidade das dimensões. Por outro lado, o sector dos Serviços é o que apresenta valores médios mais baixos, com excepção das dimensões Política e Estratégia, Relações com Chefias, Cooperação e Comunicação e Reconhecimento e Recompensa. As dimensões onde a diferença entre sectores é maior são Qualidade (com 15,5 pontos de diferença entre a Distribuição e o sector Serviços) e Posto de Trabalho (com 14,4 pontos de diferença entre o sector da Distribuição e os Serviços). A dimensão Contexto Organizacional é aquela que apresenta uma menor diferença entre sectores de actividade (com 8,0 pontos de diferença entre o sector Farmacêutico e o sector Serviços).
Figura 18. Comparação dos valores médios das dimensões por sector de actividade.
8. Análise das Entidades com Mais do que um Estudo Efectuado.
Analisando agora o caso específico das entidades monitorizadas mais do que uma vez, ou seja, que efectuaram mais do que um estudo, verifica-se que existe uma variação média positiva nos valores das várias dimensões entre o penúltimo e o último estudo (figura 19). Estas variações positivas resultarão sobretudo dos planos de melhoria internos implementados. De referir que a dimensão que apresenta a maior variação positiva este ano (Expectativas) foi a que sofreu a menor variação em 2009 (0,6).
Figura 19. Evolução média das dimensões nas organizações que efectuaram mais do que um estudo (diferença entre os valores do último e penúltimo estudo).
9. Conclusões
A partir dos resultados apresentados é possível apresentar as seguintes conclusões gerais relativas aos agregados de 2010 do ONRH:
Foi registada uma inversão na tendência ascendente das valorizações verificadas em 2009 ao nível das dimensões de análise, tendo os índices de Satisfação, Lealdade e Envolvimento registado em 2010 uma descida face ao ano anterior.
A dimensão Envolvimento é a que regista um valor médio mais elevado. Por oposição, a dimensão Reconhecimento e Recompensa é a que regista um valor médio mais baixo.
O Índice de Satisfação dos colaboradores desceu 1,2 pontos percentuais comparativamente a 2009.
O modelo estrutural estimado para o agregado nacional comprova o impacto da Satisfação na Lealdade e destas duas dimensões no Envolvimento.
Da análise sectorial, salientam-se os melhores resultados médios obtidos no sector privado comparativamente ao sector público, verificando-se igualmente que o sector farmacêutico apresenta valores médios por dimensão mais elevados do que a distribuição, a indústria e os serviços.
Para as entidades monitorizadas mais do que uma vez verifica-se que entre o penúltimo e o último estudo todas as dimensões registaram uma variação média positiva.